BAIXA ESCOLARIDADE PREJUDICA RECURSOS HUMANOS

O Brasil tem uma força de trabalho numerosa, equivalente a 42% da população, mas os recursos humanos no país carecem dos requisitos básicos para atender às necessidades de uma economia competivita. A conclusão consta do relatório de 1992 do World Economic Forum, entidade sem fins lucrativos, mantida por recursos privados, localizada na Suíça. O analfabetismo é elevado, é reduzido o conhecimento da informática e é difícil encontrar pessoal especializado. Após analisar a qualidade dos recursos humanos de 14 países recém- industrializados do ponto de vista de 61 variáveis, o World Economic Forum colocou o Brasil em 12o. lugar, à frente apenas do Paquistão e da África do Sul. A principal causa dessa situação é a ineficiência do sistema educacional. O gasto público do governo brasileiro em educação foi de US$86 per capita, em 1989, segundo o relatório. Sete outros países recém-industrializados gastaram mais do que o Brasil, inclusive a Venezuela (US$90 per capita) e Malásia (US$117). Mas o Brasil destinou mais recursos ao ensino do que o México (US$42) e a Tailândia (US$34). Esses recursos, ainda que relativamente pequenos, foram suficientes para que o Brasil tivesse uma das mais favoráveis relação professor por número de alunos: 24 alunos por professor no 1o. grau e 11 no 2o. grau. Mesmo gastando mais do que o dobro do que o Brasil em educação, US$181 per capita, a Coréia do Sul tinha 36 alunos por professor no 1o. grau e 28 no 2o. grau. Não faltam também alunos querendo, pelo menos, começar a estudar. O Brasil ficou em primeiro lugar em número de novos alunos começando o 1o. grau. Mas, como informou o próprio ministro da Educação, Murílio Hingel, de cada mil crianças que ingressam na primeira série apenas 45 concluem a oitava série em oito anos (GM).