Empresários uruguaios do setor lácteo apresentaram ontem, em São Paulo, durante a assembléia geral da Federación Panamericana de Lecheria (Fepale), as primeiras idéias básicas para um acordo setorial dentro do MERCOSUL. Algumas propostas, no entanto, encontraram resistência por parte da delegação brasileira. Uma das principais intenções do setor lácteo uruguaio é acelerar o cronograma de redução gradual das tarifas alfandegárias, a fim de que se atinja a alíquota zero antes de janeiro de 1995. Atualmente, a alíquota de importação do leite em pó no Brasil é de 20%, mas Argentina, Uruguai e Paraguai, devido à redução gradual de tarifas, pagam 7,8%. A partir de 31 de dezembro, data para uma nova redução, a alíquota do leite em pó para os países do MERCOSUL será de 6,4%. Na avaliação do vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite B, José Henrique Pereira, antes de zerar as tarifas alfandegárias, os países do MERCOSUL deveriam harmonizar as diferenças entre seus mercados. Uma outra proposta apresentada pela delegação uruguaia foi a de que os produtos derivados de leite a serem comercializados no MERCOSUL sejam, necessariamente, produzidos a partir de matéria-prima obtida na região. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Queijo (ABIQ), Fábio Scarcell, a melhor solução para impedir a entrada de produtos subsidiados seria a adoção de uma tarifa externa comum elevada (GM).