O massacre dos presos da Casa de Detenção de São Paulo não foi um ato isolado, resultado exclusivamente do "excesso" de maus policiais. Foi consequência da banalização da violência praticada pela Polícia Militar de São Paulo, responsável por execuções sumárias, agressões arbitrárias e torturas como "métodos de trabalho". Segundo o documento do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), a PM paulitas matou, na última década, 42 vezes mais que a polícia de Nova Iorque (EUA). Não há como deixar de constatar que a polícia de São Paulo está longe
51986 de utilizar seu poder letal somente para proteger-se ou para proteger a
51986 vida dos seus cidadãos, destaca o relatório preparado pela OAB, ABI e Procuradoria-Geral da República. Mais do que apontar os responsáveis diretos e indiretos pela chacina do Carandiru, o relatório analisa e faz um histórico da violência da PM paulista. Para se entender o contexto do massacre, o documento entregue ontem ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, baseia-se, inicialmente, numa estatística-- a evolução do número de mortes praticadas pela PM e, em seguida, faz comparações com Nova Iorque (EUA). Em todos os aspectos, os brasileiros aparecem em primeiro lugar, indicando arbitrariedades. Em 1981, a PM matou 300 pessoas. O número de mortos só nos primeiros seis meses deste ano já chega a 752. Ou seja, a média mensal pulou em todos esses anso de 25 para 125. Enquanto a PM paulista matou 1.140 pessoas em 1991, a de Nova Iorque matou 27. O relatório do CDDPH responsabiliza o Estado de São Paulo pelo massacre, pede indenização para as famílias das vítimas e revela que 167 disparos- - dos 515 tiros dados nos 111 mortos-- foram feitos pelas costas, ou de cima para baixo (FSP) (O Globo).