Produtores brasileiros de leite estão preocupados com a concorrência da Argentina e do Uruguai dentro do MERCOSUL. A expectativa é de que, já no próximo ano, o Brasil volte a importar produtos lácteos desses países, o que não ocorreu em 1992 devido aos excedentes da produção brasileira, segundo representantes do setor reunidos ontem, em São Paulo, durante a assembléia geral da Federación Panamericana de Lecheria (FEPALE). Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite B, José Henrique Pereira, a produção de leite este ano deve aumentar 6%, totalizando 14,8 bilhões de litros. Por essa razão, continuou, o produtor brasileiro está recebendo, no momento, em média, US$0,17 por litro, o que é semelhante ao preço recebido pelos produtores argentinos e uruguaios. Durante a entressafra, no entanto, o produtor brasileiro chega a receber US$0,27 por litro e, dentro do MERCOSUL, não seria competitivo pois os preços do leite ao produtor na Argentina e Uruguai não apresentam essa oscilação, já que a oferta é mais regular, argumentou Pereira (GM).