EMPOBRECIMENTO GENERALIZADO DA POPULAÇÃO DIMINUI DESIGUALDADE

A desigualdade de renda no Brasil teve, no ano passado, sua mais acentuada redução dos últimos 15 anos: o índice Gini caiu quatro pontos percentuais, baixando de 0,60 em 1990, para 0,56, em 1991, como constatou o economista André Urani, consultor do IPEA, destacando que essa reversão de tendência da concentração de renda brasileira-- que vinha aumentando desde os anos 60--, se deu de forma insólita: pelo empobrecimento generalizado da população, cuja renda real média do trabalho encolheu 40%, nos últimos 10 anos. Urani, que mediu o Gini em seu estudo sobre Inflação e Desemprego como Determinantes da Desigualdade de Renda no Brasil nos anos 80", explicou que este indicador-- cuja tendência pode eventualmente ser alterado-- calcula o grau de concentração de renda de um país. O Gini varia de zero a um e, quanto mais próximo de um, maior é a intensidade da concentração de renda. Um Gini de 0,60, como foi medido no Brasil, no ano de 1990, quando registrou o "pico" do fenômeno da desigualdade de renda nos anos 80, é classificado de "perverso" pelos especialistas. Uma queda brusca de quatro pontos percentuais neste indicador, no curto prazo de um ano para outro, é uma raridade, na análise de Urani. "É um fenômeno inédito o que ocorreu no Brasil em 1991", disse o economista. Mais raro ainda, no seu entender, é uma queda da desigualdade decorrente do empobrecimento da população. "Todos ficaram mais pobres em 1991 e os pobres perderam menos", comentou. "Não houve transferência de riqueza, mas de pobreza" (GM).