O presidente Itamar Franco voltou ontem a falar sobre um dos temas mais recorrentes em seu discurso: a miséria no país. Ao discursar na primeira sessão de trabalho do 6o. Encontro do Grupo do Rio, em Buenos Aires (Argentina), o presidente disse que, no Brasil, é necessária "uma associação da modernização da economia com uma política que permita superar as condições de pobreza e de miséria a que estão submetidos grandes setores da população". O 6o. Encontro do Grupo do Rio termina hoje e as duas deliberações práticas devem se referir à Venezuela e ao GATT. Os 11 presidentes participantes devem assinar cartas sobre os dois assuntos. No caso da Venezuela, o Grupo do Rio deve manifestar total apoio ao presidente daquele país, Carlos Andrés Pérez, que enfrenta ameaça de golpe de Estado. No caso do GATT, vão manifestar interesse de que se conclua a Rodada Uruguai. O acordo que deve resultar vai fundamentalmente diminuir subsídios em vários setores e baixar tarifas. Isso deve ter consequência direta nas balanças comerciais de países terceiro-mundistas, que precisam aumentar suas exportações. O presidente eleito dos EUA, Bill Clinton, prometeu uma "nova era e espírito de cooperação nas relações" dos EUA com a América Latina em mensagem aos líderes do continente reunidos em Buenos Aires. "Quero que vocês fiquem certos que pretendo continuar o relacionamento dos últimos quatro anos e fazer os próximos quatro anos ainda mais fortes", disse Clinton em conversa por telefone com o presidente do Grupo do Rio, Carlos Menem. O futuro presidente norte-americano reiterou seu apoio ao NAFTA, a zona de livre comércio entre EUA, Canadá e México. Segundo versão divulgada em Buenos Aires, Clinton também prometeu reunir-se com os integrantes do Grupo do Rio depois de sua posse. A situação institucional em Cuba ocupou grande parte do primeiro dia da 6a. Conferência de Presidentes do Grupo do Rio, mas sem que se chegasse a um consenso. A iniciativa do presidente argentino Carlos Menem de aumentar a pressão sobre o regime de Fidel Castro encontrou forte oposição das delegações do Brasil e do México, que defenderam a tese de não intervenção nos assuntos internos de terceiros países (FSP) (JB) (GM).