CAPITAL ESTRANGEIRO NO RASTRO DAS PRIVATIZACÕES

O capital estrangeiro acompanha com muita atencão os rumos do programa de privatizacão no governo Itamar Franco. De imediato, as empresas multinacionais estão interessadas em investir nas área de energia elétrica e de portos, consideradas capazes de oferecer boa rentabilidade através de operacões de importacão e exportacão. Ambas áreas do setor de servicos, entretanto, não despertam o mesmo interesse das atividades de telecomunicacões, tidas como "filé mignon" pelo capital externo, mas que ainda são monopólio do Estado no Brasil. Nesta área o retorno é garantido e o capital estrangeiro virá
51925 independentemente de regras ou obstáculos conjunturais, afirma consultor de companhias multinacionais. Segundo ele, Investir no setor de servicos é uma tendência mundial e, através dele, o Brasil tem como atrair capital estrangeiro, desde que elimine algumas das restricões hoje em vigor no programa de privatizacão". As companhias multinacionais já consideram um avanco o fim do limite de 40% para a participacão estrangeira no capital de uma empresa, proposta que está sendo examinada pelo presidente Itamar Franco. O deságio imposto aos títulos da dívida externa brasileira-- os DFAs-- e a elevada carga tributária do país, que reduz substancialmente a remessa de lucros, são considerados também restricões que contribuem para afastar o interesse estrangeiro no programa de privatizacão brasileiro. De acordo com esse mesmo consultor, "se quiser atrair mais capital estrangeiro, o governo deve deixar a cargo do mercado a determinacão do volume exigido nas futuras privatizacões, limitando-se apenas a estipular um piso, que não ultrapasse 15% do total". "O consenso é de que a parcela total em dinheiro dependerá da empresa que estiver sendo vendida. Se for atrativa, poderá encontrar quem pague até 100% em moeda corrente" (Relatório Reservado no.1341) (FSP) (O ESP) (GM).