DOENTE DE AIDS VIVE MENOS NO BRASIL

Um doente de AIDS no Brasil custa menos para os serviços públicos de saúde do que os gastos com um paciente politraumatizado ou com doença crônica degenerativa. A razão da economia é alarmante: enquanto um doente de AIDS nos EUA sobrevive até 3,5 anos após a manifestação da doença, no Brasil a expectativa de vida não ultrapassa seis meses, segundo estudo divulgado hoje, no Dia Mundial de Luta contra a AIDS, e realizado pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Os hospitais brasileiros vivem uma situação de penúria, denunciou ontem o presidente do Grupo pela Vidda, José Stalin Pedrosa. Segundo ele, os doentes de AIDS vivem pouco porque não contam com diagnóstico precoce e não dispõem de internação terapêutica imediata e eficaz. Stalin cita o exemplo do Rio de Janeiro, "onde só existem 180 leitos disponíveis em hospitais universitários, quando seriam necessários pelo menos mais 300 leitos adicionais". De 1981 até agora foram registrados 31.949 mil casos de AIDS no Brasil. Destes, 14 mil doentes já morreram. No mês passado aconteceram 483 novos casos da doença. Segundo o Ministério da Saúde, entre os novos infectados, 406 são homens e 77 mulheres. Destes, a maioria contraiu o vírus através de relações sexuais. Dos 31.949 casos registrados até hoje, Santos (SP) e Itajaí (SC) concentram o maior número. Em Santos, para cada 100 mil habitantes, 217 têm o vírus da AIDS; em Itajaí, a relação é de 130 pessoas para cada 100 mil habitantes. No Estado de São Paulo, a capital e a cidade de São Bernardo do Campo registram o segundo maior índice, de 116 pessoas para cada 100 mil habitantes. Na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a relação é de 72 infectados e em Porto Alegre (RS) é de 76 em cada 100 mil habitantes. A cada minuto três novos casos de AIDS são registrados no mundo. A revelação foi feita pelo diretor-geral da OMS, Hisoshi Nakajima. Segundo ele, por dia surgem cinco novos doentes de AIDS em todo o planeta. "Não estamos diante de uma doença de drogados ou homossexuais, mas diante de um mal em que, como se comprovou, 75% dos casos de infecção entre adultos são causados por transmissão heterossexual", disse o diretor da OMS. De acordo com dados da organização, hoje estão infectados entre 10 milhões e 12 milhões de pessoas, das quais dois milhões já desenvolveram a doença. Até o ano 2000, a previsão é de que entre 30 e 40 milhões de pessoas estarão infectadas, sendo que 90% serão de países em desenvolvimento. O custo direto do tratamento de aidéticos em todo o mundo é estimado de US$2,5 bilhões a US$3,6 bilhões para 1992. Este dado consta do livro "O Custo Oculto da AIDS", lançado ontem em Londres (Inglaterra). "A AIDS já deixou de ser simplesmente uma questão médica. Ela é um problema econômico-financeiro", afirma o autor, Martin Foreman (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).