REAJUSTE DA ENERGIA ABAIXO DA INFLAÇÃO

Depois de 41 dias sem reajuste, o governo decidiu ontem aumentar em 20%, em média, a partir de hoje, as tarifas de energia elétrica. No próximo dia 15, as tarifas subirão mais 15% em média. A novidade na nova política de tarifas para o setor elétrico é que os pequenos consumidores escapam da elevação das tarifas. Quem consumir até 30 quilowatts/hora/mês não terá aumento. De 30 a 100 quilowatts/hora/mês, o reajuste será de 11% e acima de 100 quilowatts/hora/mês, de 21%. Os consumidores industriais e comerciais terão um reajuste de 22%. O aumento médio em 1992 foi de 801,61%, contra inflação de 912,96% (IGP-M). Os pequenos consumidores (que gastam até 30 quilowatts) representam 4,1 milhões de medidores, o equivalente a 18,5 milhões de habitantes. Os consumidores entre 30 e 100 quilowatts chegam a 34,5 milhões de habitantes. Acima de 100 quilowatts, são 65 milhões de pessoas. A decisão de reajustar as tarifas de energia elétrica acima da inflação, com aumento real de 10%, foi adotada no governo Collor, para puxar a tarifa dos atuais US$48 o megawatt/hora para US$67 no final do ano. Esse é o valor que o BIRD (Banco Mundial), principal financiador do setor elétrico nacional, considera adequado para remunerar as empresas produtoras. O cumprimento da política de aumentos reais implicaria um aumento real da tarifa este ano de 17% sobre a tarifa média de 1991. O objetivo foi colocado como uma das metas de compromisso do governo na carta de intenção ao FMI (Fundo Monetário Internacional). O presidente da ELETROBRÁS, Eliseu Resende, observou ontem que a recomendação do BIRD está "sob exame". Segundo ele, a complexidade do setor elétrico brasileiro não pode se limitar a receber reajustes acima da inflação (JC) (FSP) (O ESP).