O laudo sobre a rebelião na Casa de Detenção em São Paulo indica que os presos foram exterminados. O perito Osvaldo Negrini Netto não usa a palavra "massacre" porque, segundo ele, o termo "é usado para matança indiscriminada, e o que se apurou foi que a PM perseguia grupos determinados". De acordo com o laudo pericial, em nenhum momento foram disparados tiros de dentro para fora das celas, apesar de os amotinados portarem 13 armas. Em algumas celas, metralhadoras da Polícia Militar foram disparadas de baixo para cima contra os beliches-- sinal de alguns detentos foram mortos deitados nas camas. Em 21 celas, o perito coletou 170 vestígios de tiros, mas não há como se apurar o número exato de balas disparadas na invasão. Quando Negrini chegou na Detenção, mais de 90% das vítimas já haviam sido removidas do local em que foram mortas. O laudo diz que "há nítidas impressões de que o local foi violado e está inidôneo para a perícia". O maior número de mortes ocorreu nas celas do 3o. pavimento, invadido pela ROTA. na cela 337 E, por exemplo, havia dez ocupantes. Todos foram mortos. Dos sete presos da cela 339, seis morreram metralhados. Segundo Negrini, numa da celas, na foto número 77 do laudo, um detento foi morto no banheiro. "Há três furos na cortina de plástico e dois na parede. Um ficou no corpo". Para Negrini, depois de um mês de investigações, tudo leva a crer que os líderes do motim voltaram ao 3o. pavimento e ali se trancaram para fugir da PM (FSP).