EMPRESÁRIOS NÃO ACREDITAM EM REGRESSÃO DOS NEGÓCIOS

A indústria brasileira de autopeças deverá manter os níveis de exportação previstos para este ano, apesar das medidas restritivas anunciadas no último dia 28 pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo. O principal motivo para isso é que a elevação de 6,8% no preço final dos produtos de maior tarifa ainda está longe de atingir o custo de produção do Brasil. Nossos custos são entre 30% a 35% inferiores aos das Argentina e por isso
51405 não deverá haver redução das exportações, disse Cláudio Vaz, presidente do SINDIPE>AS, o sindicato dos fabricantes de autopeças, que neste ano deverá vender US$300 milhões na Argentina, ante US$156 milhões em 1991. Para Michel Alaby, vice-presidente executivo da Associação de Empresários Brasileiros para a Integração no MERCOSUL (ADEBIM), essas medidas são tipicamente protecionistas, e equivalem a uma desvalorização cambial. Haverá um ganho de competitividade no curto prazo, mas não no médio e
51405 longo, diz Alaby. Segundo os cáculos, a alíquota média caiu de 15% para 9,06%, a máxima de 22 para 20% mas a média de reembolso (mecanismo através do qual o exportador é ressarcido dos impostos pagos internamente) subiu de 4,67% para 11,95%. Já para o setor de "trading" tem uma opinião diferente. Para Roberto da Fonseca, diretor da Silex, Cavallo está na contramão da tendência internacional de redução tarifária. "Mas essas medidas visam a dar maior sobrevida ao plano, pois a drenagem na balança comercial devia estar afetando o nível de reserva cambiais", diz Fonseca. Fonseca, que sempre criticou a política de câmbio fixo, acredita em prejuízo para os exportadores brasileiros por outros motivos: segundo seus cálculos, o câmbio já tem uma defasagem, em relação à Taxa Referenccial (TR) de 12% acumulados entre janeiro e outubro (GM).