PACOTE ARGENTINO AMEAÇA EXPORTAÇÕES

O pacote para estimular exportações e conter importações da Argentina, anunciado anteontem pelo ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, vai causar uma "turbulência" nas relações comerciais com o Brasil e reduzir as vendas de produtos brasileiros ao exterior. A avaliação é de Fernando Miranda, diretor da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil). Segundo ele, cálculos da entidade indicam que o superávit comercial que o Brasil tem com a Argentina pode sofrer uma queda de até 33%, considerando-se apenas o aumento das alíquotas do imposto de importação de 3% para 10%. As previsões iniciais eram de um superávit maior que US$1 bilhão em 92. "Os exportadores brasileiros terão de apertar o cinto", afirmou Miranda. Ele reclama que o setor não foi ouvido antes da decisão. "Mas teremos que engolir muitos sapos em prol do objetivo maior, que é o MERCOSUL". O diretor da FIESP, Sérgio Luiz Bergamini, acredita que o pacote vai gerar, num primeiro momento, um impacto com perda de receita para a indústria nacional. Ele considera ainda que o pacote deveria priorizar a exportação de produtos agrícolas e agropecuários especificamente. "Os produtos industrializados brasileiros são muito mais baratos e um pacote é insuficiente para mudar isso", comentou. Para o também diretor da FIESP, Roberto Nicolau Jeha, se as restrições às importações argentinas não contiverem diferenciações ao Brasil, Paraguai e Uruguai, fica provado que o MERCOSUL tem falhas graves e "não é sério". O presidente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Luiz Américo Medeiros, disse que as medidas a serem impostas pela Argentina representam "o fim do MERCOSUL". Ele disse não entender a postura do governo de "compreender" a atitude argentina quando se negocia a derrubada total de barreiras entre os dois países e nenhuma concessão deverá ser feita ao Brasil. Para Medeiros o incentivo às exportações não prejudica o país mas o aumento das taxas para "conseguir as guias de importação" vai pesar nos negócios da indústria brasileira com aquele país. O presidente da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Adelar Scheuer, disse que o pacote não deve alterar o acordo bilateral que fixa que as alíquotas de importação não são cobradas entre os dois países (FSP) (O ESP) (GM).