UM ACORDO NACIONAL EM NEGOCIAÇÃO

Líderes empresariais e sindicais vêm realizando em São Paulo negociações secretas sobre um projeto de ação conjunta para influir na reforma constitucional, no próximo ano, e viabilizar condições políticas e econômicas para uma retomada do desenvolvimento. Estão diretamente envolvidas as direções de entidades como FIESP, PNBE, IEDI, Confederação dos Transportes, Federações do Comércio e da Agricultura, além das centrais trabalhistas CUT, CGT e Força Sindical. As gestões começaram há mais de três meses e assumiram um caráter diferente das várias tentativas anteriores de entendimento ou pacto social. Já apresentaram resultados consensuais e vêm sendo conduzidas por empresários e trabalhadores sob compromissos de absoluta discrição, com participação equidistante dos governos federal e estadual. Têm respaldo dos principais partidos (PMDB, PSDB e PT, sobretudo) e o apoio logístico da USP. Configuram o mais extensivo esforço político conjunto-- e, também, o mais ambicioso-- já realizado. Os empresários acham possível, e necessário, ampliar o espectro das negociações: "Temos de promover o crescimento econômico, levando em consideração, como pano de fundo, a miséria existente no país. Um fórum nacional reunindo governo, empresários e trabalhadores poderá orientar ações de política econômica e social para diminuir, sensivelmente, as condições que multiplicam a miséria em nosso país", diz Emerson Kapaz, do PNBE. Para o presidente da FIESP, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, chegou a hora de se apresentar "propostas concretas". "Temos necessidade, e obrigação, de apresentar propostas que sejam, principalmente, viáveis, pois o país está cansado de fantasias e de bolas de cristal". Não queremos criar ilusões. Não é um plano acabado de governo. Mas o
51364 que nos sensibilizou são propostas que fogem do modelo neoliberal, define o presidente da CUT, Jair Meneguelli. A CUT ainda não tem um posicionamento oficial, mas já elaborou um parecer a partir de um documento do IEDI apresentado pelos empresários. Uma das alternativas em estudo na central é a elaboração de uma pauta restrita de temas de negociação sobre um projeto nacinal, o que poderia incluir política de rendas, reforma fiscal e tributária, estabilização da economia e mudanças nas relações capital e trabalho, por exemplo. A Força Sindical considera que não existem "confrontos" com as idéias expostas no estudo do IEDI. Mas acha que a proposta é limitada e pretende ampliar a discussão a partir de um projeto de desenvolvimento que prepara há cerca de um ano com divulgação prevista para os próximos dias (GM).