Do ponto de vista do MERCOSUL, e diante dos desequilíbrios da balança
51362 comercial argentina, as medidas anunciadas foram as menos traumáticas. Essa é a interpretação do embaixador Rubens Barbosa, sub-secretário geral de integração do Itamaraty e representante brasileiro no grupo do MERCOSUL. O que não está claro para o governo brasileiro, contudo, é se a lista de medidas anunciadas pelo governo argentino-- que cria incentivos fiscais para as exportações e impõe restrições tarifárias e não tarifárias às importações-- é se elas serão suficientes para resolver o problema da balança comercial daquele país ou se representariam, apenas, o início de uma sequência de medidas protecionistas, para recuperar o saldo comercial sem alterar a paridade cambial de um peso por dólar norte- americano. Nós não estamos dramatizando esse problema e consideramos que as medidas
51362 do governo argentino representam apenas um episódio dentro do processo de
51362 integração, que chegará à zona de livre comércio em 1o. de janeiro de
51362 1995, acredita Barbosa. A` primeira vista, as exportações brasileiras para a Argentina, que atingiram até agosto US$1,8 bilhão para importações de cerca de US$900 milhões, serão prejudicadas, sobretudo pela incidência de uma taxa de estatística de 10% sobre os produtos de bens de consumo vendidos aos argentinos. Os produtos brasileiros, assim, ficam mais caros para os portenhos, embora Barbosa tenha ressaltado que não houve, no conjunto das medidas, uma alteração da tablita de ampliação da margem de preferência de sete pontos percentuais por semestre. Ao encarecer os produtos importados, contudo, houve uma diminuição, na prática, dessa margem de preferência em algo como um ponto percentual, o que representa uma diferença, para menos, de cerca de 15% dos produtos comprados pela Argentina junto aos países do MERCOSUL em comparação com as importações feitas no resto do mundo (GM).