A compra de tecnologias na forma de componentes, conhecimentos, processos e materiais, as "joint ventures" na área tecnológica, o desenvolvimento de processos e produtos através da cooperação universidade-indústria, além das fusões, aquisições e acordos de licenciamento, estão se tornando meios inovadores para as empresas dos países mais industrializados predominantes sobre o desenvolvimento independente de tecnologia. Esse novo quadro foi apresentado pelo norte-americano Hans Thamhaim, especialista em gestão e inovação tecnológica ligado ao Bentley College, de Massachusetts, umas das maiores escolas de administração dos EUA, durante o XVII Simpósio Nacional de Gestão da Inovação Tecnológica, encerrado ontem em São Paulo. Frente a esse panorama, mesmo as empresas latino-americanas consideradas as inovadoras por excelência, dentro do estudo "Cien empresas inovadoras en Iberoamérica", organizado pelo Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted-D) e lançado nesta semana no Brasil, caminham na contramão das novas tendências internacionais para obtenção de tecnologia. São características das empresas latino-americanas inovadoras a
51353 tendência a buscar o desenvolvimento próprio de tecnologias, uma
51353 resistência a adaptar aquelas já existentes e o surgimento de idéias
51353 inovadoras dentro da própria empresa, orientadas pela necessidade e
51353 oportunidades de mercado, disse o economista holandês Rudolf Buitelaar, um dos autores do estudo promovido pelo Cyted-D, ao apresentá-lo no simpósio. Há um "caráter de independência" nessas empresas, cujo percentual de inovações obtidas por desenvolvimento próprio chega a 67,4%, ante 7,9% de compras e 27,4% de adaptações de tecnologias já existentes. É frágil o relacionamento interempresas na região e frágil o apoio de estímulos governamentais às suas iniciativas de inovação, na avaliação dos dirigentes, segundo Buitelaar (GM).