GOVERNO COMPREENDE AS MEDIDAS ADOTADAS PELA ARGENTINA

Os ministros da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, e das Relações Exteriores, Guido Di Tella, estiveram por duas horas, ontem, em Brasília (DF), para explicar aos seus colegas brasileiros, ministro Gustavo Krause, Fernando Henrique Cardoso e José Eduardo de Andrade Vieira, as medidas de subsídios às exportações e de restrição às importações que foram anunciadas ontem em Buenos Aires. Esse procedimento foi um primeiro exercício do que será agora uma atitude permanente de "coordenação de políticas macroeconômicas, no âmbito do MERCOSUL", assinalou Cavallo. Cavallo e Di Tella ressaltaram aos ministros brasileiros que as medidas tomadas pelo governo argentino, para reforçar o saldo da balança comercial, não dão ao Brasil um "tratamento discriminatório", explicaram que as exportações brasileiras de bens de capital ficarão isentas da taxa de estatísticas, que incidirá sobre as demais importações feitas pela Argentina, e que foi aumentada de 3% para 10% no pacote de ontem. Essa taxa incidirá sobre as importações de bens de consumo do Brasil. Fernando Henrique lembrou, contudo, que ao alterar a estrutura das tarifas alfandegárias o governo argentino aproximou mais as alíquotas médias praticadas lá pelas alíquotas em vigor no Brasil, o que, de certa forma, até facilitará para o Brasil o cumprimento do cronograma do MERCOSUL. O governo brasileiro compreende as medidas adotadas pelo governo
51349 argentino, ressaltou o chanceler brasileiro. O governo comprometeu-se, também, a aumentar as importações da Argentina, para reduzir o desequilíbrio comercial. Fernando Henrique anunciou que a PETROBRÁS está estudando a elevação das importações de petróleo da Argentina, de 800 mil para um milhão de barris por dia. Disse que as compras de farinha de trigo-- cuja cota de 200 mil toneladas concedida à Argentina não foi atingida, embora o prazo termine neste mês-- serão prorrogadas para até dezembro deste ano. O ministro garantiu, ainda, que a cota argentina de 25 mil automóveis para o mercado brasileiro poderá ser cumprida no ano que vem. O anúncio do ministro Cavallo mostra a preocupação de ajustar nossas
51349 políticas internas. O governo não só compreende como as enxerga como
51349 compatíveis com o MERCOSUL, afirmou o ministro da Fazenda, Gustavo Krause, ao final do encontro (GM) (O Globo).