AS CINCO PRIMEIRAS INDÚSTRIAS DE INFORMÁTICA DO PAÍS

Criadas para produzir microcomputadores com projeto próprio ou de transferência de tecnologia estrangeira para posterior nacionalização, as cinco primeiras indústrias nacionais de informática-- Cobra, Edisa, Labo, Sid e Sisco-- fundadas na segunda metade da década de 70, seguem hoje estratégia diferente da estabelecida há quase 20 anos. A reserva de mercado termina amanhã, mas há vários anos essas indústrias vieram enfrentando a concorrência das próprias empresas locais que foram surgindo. O radicalismo nas proibições a importações, consecutivas crises na economia e a resistência dos articuladores da política às associações com companhias estrangeiras dificultaram o desempenho das cinco pioneiras. Umas foram rápidas na busca de parcerias com exterior, como Edisa (do grupo Iochpe), que vinha trabalhando em conjunto com a Hewlett Packard, mas só formalizou sua associação há dois anos. A Sid (empresa Machline) por sua vez, partiu para inúmeras alianças, projetos de transferência de tecnologia, representações e "joint venture" com a IBM, criando a MC&A para produzir micros na fábrica da empresa no Paraná. A Labo, entre acertos e descompassos no lançamento de produtos, foi comprada no ano passado pelo grupo Medidata, também uma antiga empresa do setor. A Medidata ganhou mercado por oferecer soluções de valor agregado, o que significa "desenhar" o sistema para o cliente com "software" e equipamento mais adequado para sua necessidade. Nessa linha também trabalha a Sisco (Maksoud), que fabrica micros com chip Intel, sistemas Risc com processador 88000 da Motorola e também representa no país impressoras da Epson. Entre as cinco pioneiras, a que mais se enfraqueceu nos últimos anos foi a estatal Cobra. Muitas vezes sem recursos para destinar aos projetos de capacitação local em muitos segmentos da informática, acabou sendo absorvida pelo Banco do Brasil e está na lista para ser privatizada em abril de 1993 (GM).