BANCO DO BRASIL REFORÇA PRESENÇA EXTERNA

O Banco do Brasil quer tomar a dianteira dos concorrentes e prepara-se para reforçar sua presença nos países vizinhos que compõem o MERCOSUL. Os gerentes das agências de Buenos Aires e de Assunção foram recentemente trocados e a orientação do banco impõe maior agressividade na captação de recursos com público local para dar liquidez aos empréstimos de giro que vão ajudar a atuação das empresas brasileiras naqueles mercados. Queremos identificar as oportunidades de negócios e atuar na base de
51324 parceria, alavancando recursos no processo de integração entre a área
51324 doméstica e os demais países do MERCOSUL, disse o diretor de operações do BB, Claudio Dantas. A estratégia do BB não envolve apenas a maior ênfase nas operações bancárias mas, tirando proveito do fato de ser um banco estatal com penetração de vários anos naqueles mercados, pretende também servir de elo de ligação entre os empresários brasileiros e os empresários dos países vizinhos. Por enquanto, o BB só tem condições de operar com recursos do FINAMEX (o FINAME voltado para a exportação) e do PROEX (programa de incentivo à exportação), mas já no ano que vem a idéia é alocar no orçamento uma soma de recursos próprios para financiar não só o comércio mas viabilizar outros negócios, até de investimento na região. Também será dada ênfase à operação inversa, no sentido de apoiar os empresários argentinos, uruguaios e paraguaios em suas operações com o Brasil. Depois de 11 anos sem interesse nos países vizinhos, o sistema financeiro brasileiro começou a abrir os olhos para a Argentina, o Uruguai e o Paraguai no ano passado, depois que se tornaram evidentes os esforços para a construção de um mercado único na região. Dados do Banco Central mostram que entre 1980 e 1991 não houve interesse por nenhuma instituição financeira brasileira em criar dependência naqueles países. No final do ano passado, portanto, as dependências de bancos brasileiros continuavam restritas a quatro agências em Buenos Aires, uma agência em Montevidéu, duas agências em Assunção e quatro bancos no Paraguai (sendo dois deles subsidiárias integrais de bancos brasileiros e outros dois participação em bancos paraguaios). Desde o ano passado, o BC já autorizou a abertura de dois escritórios em Buenos Aires, um do Bamerindus e outro do banco Bandeirante. Em carteira, estão aguardando autorização do BC os pedidos para abertura de mais um escritório em Buenos Aires e a abertura de um banco subsidiário integral no Uruguai. Há, ainda, pleitos para reforçar a capitalização naqueles países. O sistema bancário não está se preparando rapidamente para integrar o MERCOSUL. O presidente da FEBRABAN, Alcides Tápias, explicou que apenas agora a federação criou uma comissão especial para estudar esse assunto. Segundo ele, por suas próprias características operacionais, o mercado financeiro precisa primeiro observar as relações do setor produtivo-- indústria e comércio-- para em seguida detectar os seus próprios passos. Alcides Tápias pondera, ainda, que a comissão criada pela FEBRABAN para observar a inserção dos bancos no MERCOSUL tem como atribuição avaliar, entre outros itens, a equiparação de legislação, parâmetros monetários e cambiais (GM).