O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, chega hoje a Brasília (DF) acompanhado do chanceler Guido Di Tella e do secretário de Indústria e Comércio, Juan Schiaretti, para discutir as formas de atenuar o desequilíbrio na balança comercial entre os dois maiores sócios do MERCOSUL. Os visitantes se encontrarão com o chanceler Fernando Henrique Cardoso e com os ministros da Economia, Gustavo Krause, do Planejamento, Paulo Haddad, e da Indústria e do Comércio, José Eduardo Andrade Vieira. Cavallo permanecerá apenas algumas horas no Brasil, antes de seguir para a Europa, mas os resultados de seus entendimentos com as autoridades brasileiras estão sendo aguardados com muita expectativa. Uma das concessões que esperam os argentinos para compensar seu déficit comercial, estimado em US$1,2 bilhão até o final deste ano, seria o rebaixamento imediato para zero de todos os impostos de importação para os produtos argentinos. Os defensores dessa medida argumentam que a tablita de redução automática das tarifas alfandegárias, de sete pontos percentuais a cada semestre (inaugurada em janeiro de 1991, com 40% de desconto), já se encontra num nível muito próximo do zero. Atualmente, todos os produtos intercambiados entre o Brasil e a Argentina se beneficiam de um desconto mínimo de 61% nos impostos de importação e, a partir de janeiro de 1993, essa preferência será de 68%. No caso argentino, dado o reduzido nível das tarifas de importação (variam entre 5% e 22%), o mercado comum já está existindo na prática, isto é, muitos produtos brasileiros ingressam no país sem pagar impostos (apenas 3% de taxa de estatística). O que desejam os técnicos argentinos é que essa situação passe a vigorar dos dois lados, como forma de dar maior competitividade às exportações argentinas e diminuir as pressões existentes por parte da indústria local contra a Invasão" de produtos brasileiros (JB).