O novo líder do governo na Câmara, deputado Roberto Freire (PPS-PE), afirmou ontem que o presidente em exercício, Itamar Franco, poderá renunciar antes do fim do mandato, em janeiro de 1995, para antecipar a entrada em vigor do parlamentarismo. A possibilidade aumentará se o novo sistema de governo tiver uma vitória esmagadora no plebiscito marcado para abril do ano que vem. Mas diminuirá se o governo conseguir um bom índice de credibilidade nos próximos meses. Pessoas ligadas a Itamar dizem que ele considera a transição para o parlamentarismo uma das principais missões de sua administração, ao lado da reforma eleitoral e partidaria e do ajuste fiscal. Freire declarou que ele mesmo pretende conduzir o cargo como um ensaio para o parlamentarismo. "Quando os partidos deixam de dar sustentação, cai o Ministério", explicou. O Movimento Parlamentarista Nacional, que reúne entidades da sociedade civil, concluirá, esta semana, um documento que resume as propostas para o novo sistema de governo. Com esse texto, os dirigentes do movimento pretendem colher assinaturas favoráveis ao parlamentarismo em todo o país e iniciar a campanha para o plebiscito de 1993 (O ESP) (FSP).