A Argentina não vai adotar medidas unilaterais de represália contra a avalanche de produtos brasileiros nem pretende retirar-se do MERCOSUL. Essas garantias foram apresentadas no último dia 24 ao ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, pelo ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, em Buenos Aires. Cavallo solicitou, em troca, que o Brasil estude a adoção de providências para compensar o desequilíbrio nas transações comerciais entre os dois países. Este ano, segundo as projeções, o comércio bilateral deverá registrar um saldo favorável ao Brasil de US$1,2 bilhão. O desmentido se refere a notícias publicadas na semana passada pela imprensa argentina que apontavam como iminente a decisão do Ministério da Economia de fixar cotas para a entrada de produtos brasileiros e, em alguns casos, proibí-la totalmente. O chanceler argentino Guido di Tella reafirmou, durante o encontro, que a Argentina segue empenhada no cumprimento do Tratado de Assunção-- que criou o MERCOSUL. Fernando Henrique informou que o Brasil já estuda medidas destinadas a contrabalançar o déficit comercial argentino. Entre elas estaria a importação de farinha de trigo e petróleo e a prorrogação dos prazos para que a Argentina coloque no Brasil 34 mil automóveis, sem o pagamento de impostos alfandegários. O chanceler Fernando Henrique enfatizou que, ao escolher a Argentina para realizar sua primeira viagem ao exterior como titular do Itamaraty, estava dando uma demonstração do interesse com que o Brasil encara suas relações com a Argentina (JB) (O Globo).