FIM DE SEMANA SEM "ARRASTÕES" NO RIO DE JANEIRO

A "Operação Verão", iniciada no último dia 24 com mais de 1.500 policiais civis e militares, além de seguranças da RIOTUR, garantiu um fim de semana tranquilo nas praias da Zona Sul do Rio de Janeiro (capital). Os arrastões ficaram por conta da PM, que chamou assim as batidas nas praias para revistar "suspeitos". Em Ipanema, foram detidas 15 rapazes-- seis menores-- sob suspeita de estarem planejando um "arrastão" para o fim da tarde. A revista nos ônibus da Zona Sul continuou intensa e todos os que não tinham documentos foram obrigados a interromper viagem. Em Copacabana, os banhistas espancaram um rapaz de 16 anos que furtava pessoas na praia. O menor foi encaminhado pela polícia à Divisão de Proteção à Criança. Durante toda a semana posterior ao domingo do "arrastão", dia 18, grupos civis, ao invés de exigirem o policiamento efetivo das praias e o reforço da segurança a que todos os cidadãos têm direito, passaram a posar com seus músculos em tom de ameaça e a proclamar a necessidade da justiça pelas próprias mãos. A "produção" de um confronto entre Zona Norte e Zona Sul assusta o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE. "O secretário Nilo Batista deve abrir inquérito e colocar na cadeia os líderes desses movimentos, que acabam em neofascismo, como já está acontencendo em outras partes do mundo. Eles começam atacando meninos de rua e acabam perseguindo a esquerda", diz o sociólogo. O psicanalista Ney Marinho, membro do Conselho de Defesa da Paz, também se diz preocupado "com a tendência fascistóide de reagir de maneira violenta, com um antiarrastão de classe média, ou chamando o Exército" (JB).