A modernização da agricultura no sertão nordestino está mudando os hábitos e os costumes das mulheres da região. Das que trabalham nos grandes projetos, 47% permanecem solteiras até os 30 anos, 48% usam anticoncepcionais, 12% se divorciam, 20% têm curso primário e a maioria tem de dois a quatro filhos. Entre as mulheres que se dedicam à agricultura de subsistência, apenas 8% ficam solteiras até os 30 anos, 25% usam anticoncepcionais, menos de 1% se divorcia e a maioria tem mais de cinco filhos. As mulheres empregadas nas áreas de modernização também têm uma renda quase três vezes maior, participam mais dos sindicatos e fazem reivindicações que sequer passam pela cabeça das outras, tais como creches, salários iguais, refeitórios e sanitários. Essa realidade foi detectada por uma pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), de Pernambuco, que acaba de ser concluída, depois de três anos de estudos, com financiamento do IDRC, instituto canadense que orienta políticas de apoio para o Terceiro Mundo. O trabalho será publicado em livro em janeiro próximo. Uma "cartilha popular", para ser distribuída entre trabalhadores rurais, e um livreto destinado a empresários, com os dados e conclusões da pesquisa, também serão publicados (JB).