As nove mais importantes regiões metropolitanas do país concentram uma população de pobres acima de 13 milhões de habitantes, ou quase 10% da população total. Os pobres são entendidos como pessoas com renda inferior ao necessário para um indivíduo sobreviver, incluindo alimentação, transporte e habitação. Na região metropolitana de São Paulo (SP) é considerada na "linha de pobreza" uma pessoa com renda inferior a 1,29 salário-mínimo, enquanto em Fortaleza (CE), o correspondente a menos de 0,72 do mínimo. Os dados constam do trabalho "Poverty in Brazil", da economista Sônia Rocha, do IPEA. Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente de pobres do país: 3,8 milhões. Em seguida, vem o Rio de Janeiro (RJ), com 3,7 milhões, e Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), com 1,4 milhão e 1,1 milhão, respectivamente. Fortaleza (CE) e Salvador (BA) abrigam 916.467 e 942.087 pobres, Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) contam com 293.700 e 643.438, respectivamente, e Belém (PA), 532.489. No âmbito das nove regiões metropolitanas levantadas por Sônia Rocha, o maior percentual de total de renda dos não-pobres a ser transferido para os pobres é de 10,3%, no Recife. Em Salvador, essa percentagem alcança 6,6% e em Fortaleza 6,5%. No Rio de Janeiro, a transferência é da ordem de 4,5%, em São Paulo, de 2,6%, em Belo Horizonte, de 3,8%, em Porto Alegre, de 2,2%, e em Curitiba, de 1,1%. Em média, seria necessário transferir 3,7% de renda dos não-pobres para acabar com a pobreza das nove regiões metropolitanas brasileiras, constata o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ. "Como fazer esta transferência?", indaga. O processo de administração da operação tem um custo operacional calculado por ele em igual percentual levantado para a transferência, de mais ou menos 3,7%. Assim, seria necessário trabalhar com um percentual de transferência de renda dos não-pobres para os pobres na casa dos 7% a 8%. O caminho para tal seria aumentar a tributação (GM).