A candidata do PT à prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, contratou seus três filhos como assessores parlamentares quando exercia mandado de vereadora, entre 1983 e 1987. Além da acusação de nepotismo, pesa sobre a candidata a suspeita de fraude nas contratações: conforme documentos enviados anonimamente a este jornal, pelo menos um dos filhos, Pedro Paulo Souza e Silva, foi efetivado como funcionário da Câmara Municipal, em 1986, utilizando para se credenciar ao cargo um diploma falsificado de conclusão do 2o. grau. Também existe a suspeita de que seja igualmente falso o diploma usado para o mesmo fim por Eunice Maria dos Santos, enteada de Benedita. Além disso, embora tenha sido efetivada como funcionária da Câmara na mesma época, a outra filha de Benedita, Nilcéa Aldano da Silva, até hoje não apresentou diploma. Pedro Paulo, Nicéa e Eunice foram contratados como assistentes parlamentares e recebem o salário de Cr$3,3 milhões. A polêmica envolvendo as irregularidades se arrasta até hoje. O edital publicado pelo Diário Oficial da Câmara no último dia 16 designa o funcionário Ricardo Lima Rocha como Defensor de Ofício de Pedro Paulo. O edital afirma que o filho da candidata, que trabalha no setor de xerox, foi indiciado por irregularidades na documentação. Na denúncia consta que, entre as irregularidades, Pedro Paulo apresentou documentos falsos para ser contratado. Morador do Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, ele mostrou certificado de conclusão do segundo grau do Colégio Afonso Celso, em Campo Grande. Benedita da Silva negou ontem que tenha empregado seus dois filhos e a enteada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Embora não lembre o ano em que foram contratados pela Casa, Benedita afirmou que os três trabalhavam lá mesmo antes de ela ter sido eleita vereadora, em 1982. Benedita assegurou que respeitou a legislação ao indicar mais quatro pessoas-- Antônio Henrique Pereira, Luiz Cláudio Pereira, Carlos Alberto Lino e José Calisto-- para o cargo de assessor parlamentar. "Eles foram indicados dentro da legislação. Agora, se havia problemas em seus documentos, realmente, não sei", disse (O Globo).