A experiência de rodovias privatizadas na América do Sul pode ser iniciada com uma auto-estrada ligando São Paulo a Buenos Aires. Este foi o recado transmitido ontem pelo presidente do BID, Enrique Iglesias, durante o seminário realizado em Canela (RS) para discutir as alternativas de construção da Rodovia do MERCOSUL. Iglesias disse que o objetivo do BID é estimular a participação da iniciativa privada. E anunciou que o banco se propõe a se "o articulador da engenharia financeira" destinada a reunir recursos para a construção da estrada. Ele acredita que surgirão consórcios interessados no projeto, que pode custar US$4 bilhões. No estudo preparado pela empresa Louis Berger International Inc., de Washington (EUA), por solicitação do BID, foram estudados 14 viabilidades de traçados unindo os trechos de Buenos Aires até Colônia, no Uruguai. O segundo grande trecho é compreendido entre Colônia e Porto Alegre e, por último, da capital gaúcha a São Paulo. O custo inicial da obra é estimado em US$1,2 bilhão, mas construtores avaliam o investimento em US$2,5 bilhões. A proposta de criar uma rodovia privada recebeu questionamentos. O governador do Paraná, Roberto Requião, teme que o monopólio da estrada acabe prejudicando os pequenos transportadores. O embaixador Rubens Barbosa, sub-secretário de Integração do Itamaraty, por sua vez, lembrou que para o Brasil permitir a construção de uma estrada privada o Congresso precisa aprovar a lei de concessão de obras públicas. O governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares, disse que "a idéia de uma rodovia passando por três países no Cone Sul parecia um sonho, mas chegou a hora de concretizar essa utopia". Já o governador de Santa Catarina, Vilson Kleinubing, informou que dificilmente a estrada dará um retorno econômico compatível com o investimento. "A participação do poder público será obrigatória, pois, do contrário, ocorrerá o mesmo que na Espanha, onde as empresas que administravam quatro mil quilômetros, em regime de concessão, não tiveram lucro e quebrara", finalizou (O Globo) (GM) (JB).