O presidente afastado Fernando Collor planeja sacar mais dinheiro no Uruguai. Para reforçar a argumentação de sua defesa, que traz de volta a chamada "Operação Uruguai", Collor pensa em pedir à Alfa Trading US$1,250 milhão. O contrato que Cláudio Vieira, ex-assessor de Collor, diz ter assinado em nome do presidente com a Alfa Trading prevê a abertura de uma linha de crédito de US$5 milhões. Como Vieira sustenta ter sacado apenas US$3,750 milhões desse valor, Collor ainda teria direito à nova retirada. A idéia do presidente, debatida com seus advogados, é provar que o suposto empréstimo do Uruguai não é uma farsa. Os advogados José Guilherme Villela e Evaristo de Moraes Filho entregaram ontem ao STF sete pastas de documentos com os quais Collor tentará provar que não cometeu nenhum crime nas suas relações com o empresário Paulo César Farias. Qualquer irregularidade, se ocorreu, foi praticada por Paulo César
51214 Farias, disse Villela. A defesa de Collor sustenta que todas as suas despesas foram custeadas com o dinheiro trazido do Uruguai. Collor reconhece que, antes de chegar à sua secretária Ana Acioli e aos seus familiares, o dinheiro fez escala nas contas de empresas e "fantasmas" controlados por PC. Mas alega que não sabia de nada e que a administração do dinheiro foi confiada a Vieira. Trata-se de uma defesa prévia. Agora ela será analisada pelo procurador- geral da República, Aristides Junqueira, que em seguida decidirá se denuncia ou não Collor por crime comum. Aristides já afirmou que há indícios veementes (FSP) (JB).