O Brasil tem demonstrado "um compromisso consistente com a idéia do MERCOSUL", afirmou ontem, em Nova Iorque (EUA), o consultor Alexandre Barros, da Early Warning de Brasília, durante o seminário "MERCOSUL Intensivo", apresentado pelo Investment Management Institute e apoiado pela AT&T e outras empresas. Entre as oportunidades de negócios que se abrem com o MERCOSUL, a hidrovia Paraguai-Paraná foi destacada pelo advogado paraguaio Guillermo Peroni, da Peroni-Sosa & Altamirano de Assunção. O caminho das águas começa em Porto Cáceres, no Brasil, e acaba em Nueva Palmira, no Uruguai. Em seus 2,44 mil quilômetros estão incluídos um afluente do Paraná, o canal Tamengo, que serve a Bolívia e o Brasil. Peroni acrescenta que o comércio será estimulado também por acordos bilaterais. "Assim como o Brasil concedeu ao Paraguai um corredor para exportações da Ciudad del Este até Paranaguá, o Paraguai concedeu ao Brasil um corredor de exportações que sai de Ponta Porã e passa por Pedro Juan Caballero e Concepción até desembarcar na zona paraguaia livre em Rosário", explicou. O diretor da Companhia de Desenvolvimento Paulista (CDP) em Washington (EUA), Omar Bittar, explicou as características desse empreendimento, que soma o governo paulista com a iniciativa privada para atuar em diversas frentes, inclusive no MERCOSUL. Ele disse que "o principal objetivo da companhia é atrair novos investimentos, concedendo à iniciativa privada o direito de executar projetos de infra-estrutura e prover serviços públicos por um período determinado, e renovável". O estado, disse, tem uma população de 31,3 milhões com renda per capita de US$3,28 mil, contra a média brasileira de US$1,86 mil. Um diretor da Consultants Group Latin America, Bennett C. Jaffee, mostrou as oportunidades de negócios no setor do meio ambiente dentro do MERCOSUL. Entre as oportunidades que se abrem no Brasil, ele destacou a limpeza do rio Tietê em São Paulo, que deve consumir cerca de US$2,6 bilhões; a limpeza do rio Guaíba em Porto Alegre, que deve custar US$1,5 bilhão; e uma série de iniciativas privadas de várias indústrias. Estima o Departamento de Comércio dos EUA que só o mercado para equipamento industrial de controle das águas lançadas nos rios brasileiros foi de US$175 milhões em 1990 e será de US$215 milhões neste ano (GM).