O governo abandonou a idéia de promover um ajuste fiscal de emergência e decidiu negociar com o Congresso Nacional uma reforma fiscal ampla, profunda e definitiva, a ser aprovada até o final do ano, para entrar em vigor em 1993. A reviravolta foi determinada ontem pelo presidente Itamar Franco, após discutir o assunto com seis ministros. Após a reunião, o ministro da Fazenda, Gustavo Krause, explicou que o governo decidiu abandonar o ajuste de emergência depois de ter ouvido parlamentares, empresários e trabalhadores. O ministro disse que a reforma fiscal definitiva abrangerá tudo, dos tributos sobre pessoas físicas e empresas à repartição de receitas tributárias entre União, estados e municípios. A nova proposta deverá incluir ainda mudanças na Previdência Social e cortes nos gastos públicos. Também não está descartada a possibilidade de implantação do imposto seletivo, que incidiria sobre fumo, bebidas, telefonia, energia e combustíveis. O ministro explicou que a proposta de criação do ITF (Imposto sobre Transações Financeiras) está abandonada como instrumento de ajuste de emergência, mas destacou que o tributo poderá constar da reforma profunda. "Nada vai ficar fora das negociações", afirmou (JC) (O ESP) (O Globo).