A Zona Sul do Rio de Janeiro (capital) transformou-se, ontem, numa verdadeira praça de guerra, com "arrastões" promovidos por gangues de adolescentes vindos de bairros do subúrbio e da Baixada Fluminense, armados com pedaços de madeira. A Polícia Militar, com 110 homens munidos de revólveres, metralhadoras e escopetas, entrou em ação e até uma polícia paralela, formada pelos "Anjos da Guarda"-- grupo voluntário que se propõe a defender a população-- atuou. O pânico tomou conta de banhistas e moradores, que ficaram no meio desse cenário e tiveram que procurar refúgio em bares, padarias e até embaixo das lonas dos camelôs. Tudo começou por volta do meio-dia, na Praia do Arpoador, onde várias linhas de ônibus que chegam do subúrbio do Rio fazem ponto final. Ali, foi o local de encontro das gangues rivais, que formavam vários arrastões. Uma das gangues, a mais numerosa, desceu por Copacabana tomando de assalto quem passava. Em fila, os adolescentes tinham como principal alvo as mulheres. A tática era a seguinte: enquanto um derrubava a vítima, outro roubava toalha, carteira e objetos de valor. O comandante do 19o. BPM, coronel Adilson Fernandes, disse que não encontrou vítimas dos "arrastões". "O que houve, na realidade, foi pânico", afirmou. Cerca de 27 adolescentes foram presos e liberados após prestarem depoimento na 12a. DP (JB).