Do mesmo latifúndio de 1,6 milhão de hectares atacado pela esquerda e pela direita há duas décadas, tido até hoje por muitos como símbolo de destruição ambiental, parecem estar saindo algumas das soluções mais interessantes e viáveis para o futuro econômico da Amazônia. A primeira foi provar que o cultivo de eucalipto e pinheiro para fabricação de celulose dá certo na selva tropical. Com isto, a Jari - Cia. Florestal Monte Dourado ajudou a derrubar uma série de mitos seculares, como o de que os solos da região são todos pobres e imprestáveis. Agora, o empreendimento fundado há 25 anos pelo multimilionário norte-americano Daniel Ludwig e gerido desde 1982 por um consórcio de 22 grupos nacionais, está pronto para outra. Trata-se do Projeto Tuerê, uma imensa área de 60 mil hectares ao sul de Monte Dourado, no Pará. Lá, os dirigentes do Jari pretendem instalar um modelo de manejo sustentável da floresta. A meta é provar que dá para conciliar uma atividade rentável-- a retirada seletiva de madeiras nobres- =- com a preservação do Meio Ambiente. Tudo isso Através de treinamento da população local, de tecnologia que barateiem a produção e com a aplicação de uma espécie de "certificado verde" para a madeira extraída desta forma. Historicamente, só a necessidade de sobrevivência tem levado a hábitos
51127 de conservação dos recursos naturais, e a Amazônia não será nenhuma
51127 exceção, adverte o agrônomo Sergio Coutinho, assistente da Diretoria Florestal do Jari e responsável pela implantação da Reserva Genética, na prática o maior laboratório vivo da Amazônia. "A região caminhará inexoravelmente para a destruição se não procurarmos agora maneiras apropriadas de educação e gerenciamento ambiental", avisa. A Jari está investindo US$2,4 milhões na elaboração do projeto e na abertura de uma estrada de 44 km de terra batida através da área do Tuerê, beneficiando três comunidades locais, informa o diretor- presidente, Eduardo Barreto. "Se o modelo der certo", torce o agrônomo Sergio Coutinho, "poderá ser difundido através da Amazônia para tentar evitar os estragos provocados por invasores e posseiros sem preocupação com a preservação do meio ambiente" (JB).