O Centro Federal de Inteligência (CFI), serviço de informação que o governo Itamar Franco vai montar a pretexto de prevenir a corrupção e o uso indevido de dinheiros públicos, terá verbas secretas e fichará pessoas, numa recaída autoritária que o nivela ao SNI (Serviço Nacional de Informações) criado em 1964 pela ditadura militar. O almirante Mário César Flores, que assumirá nos próximos dias a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), alimenta os temores: "Arquivos pessoais eu imagino que tenha de ter". O general Ivan de Souza Medeiros, último chefe do SNI, confirma a ameaça: "A volta das fichas pessoais é a volta do Serviço". O deputado Hélio Bicudo (PT-SP) assusta-se: "Acho que se está recriando um monstro". Os juristas também se preocupam com um possível retorno de caça às bruxas. O ex-presidente da OAB, Márcio Thomaz Bastos, alerta: "Esses arquivos começam definindo o nível moral das pessoas, para depois adquirirem carga política e ideológica" (JB).