O ministro da Saúde, Jamil Haddad, nomeou essa semana uma equipe de técnicos para fazer uma revisão geral na CEME (Central de Medicamentos) e tentar colocar em prática a determinação do presidente Itamar Franco de incentivar a produção de remédios considerados essenciais. A orientação do presidente, antecipam técnicos e especialistas do setor, esbarra na absoluta falta de recursos. A estimativa é de que seria necessário um orçamento da ordem de US$1,3 bilhão para que fossem alcançadas as novas metas do governo Itamar. A intenção de Itamar é aumentar a produção de remédios essenciais através dos 14 laboratórios da rede oficial conveniados com a CEME. Hoje, esses laboratórios, entre eles os três ligados ao Exército, Marinha e Aeronáutica, atendem apenas 40% das encomendas do governo. Os restantes 60% dos medicamentos necessários ao atendimento dos ambulatórios e programas de saúde pública são fornecidos por laboratórios privados. A CEME foi criada em 1971 com objetivo de combater as epidemias e abastecer as populações carentes com medicamentos para doenças primárias, como os antibióticos. Atualmente o órgão atua apenas na compra e distribuição de remédios, quando deveria também fazer o controle de qualidade e financiar a pesquisa de novos produtos. Com capacidade para fabricar 700 milhões de unidades de medicamentos por ano, entre comprimidos, pomadas e cápsulas, o Instituto de Tecnologia de Farmacos (Far-Manguinhos), da FIOCRUZ, por exemplo, está com sua produção reduzida a 25%. Ele fornece exclusivamente para a CEME, que alega falta de demanda do setor público. O diretor do Instituto, Eduardo Vieira Martins, afirma que a FIOCRUZ dispõe de tecnologia para a fabricação de 90% dos 300 medicamentos incluídos na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), mas essa capacidade não está sendo aproveitada (JB).