LÍDER INDÍGENA GANHA PRÊMIO NOBEL DA PAZ

A líder indígena e ativista dos direitos humanos guatemalteca Rigoberta Menchú, de 33 anos, ganhou ontem o Prêmio Nobel da Paz de 1992. O comitê do Nobel disse que ela é um símbolo de paz e reconciliação 500 anos depois da chegada de Cristóvão Colombo ao continente americano. Menchú, que teve a mãe, o pai e um irmão mortos na luta contra o poder militar na Guatemala, disse ter "muita esperança de que isto ajude o povo indígena das Américas a viver para sempre". Ela afirmou ainda que vai criar uma fundação para a defesa dos índios com o cheque de US$1,2 milhão que acompanha o prêmio. De origem maia, Menchú, a nona mulher a receber o prêmio, tornou-se uma ativista dos direitos da mulher e por reformas sociais já na adolescência, através da Igreja Católica. O comitê do Prêmio Nobel afirmou que ela "se destaca como um símbolo vivo de paz e reconciliação entre divisões étnicas, culturais e sociais, em seu próprio país, no continente americano e no mundo". O comitê denunciou ainda a "repressão em larga escala dos povos indígenas" na Guatemala nos anos 70 e 80. Cerca de 120 mil guatemaltecos morreram numa guerra civil de 30 anos que não parou com a restauração do poder civil, em 1985 (FSP).