A ONU comemora hoje o Dia Mundial da Alimentação com informações desalentadoras sobre a distribuição de alimentos no planeta. De acordo com dados da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), embora haja comida suficiente para alimentar os 5,3 bilhões de habitantes do mundo, a fome já atinge mais de 780 milhões de pessoas-- quase 20% da população, localizada principalmente nos países em desenvolvimento. As principais causas da fome, de acordo com a FAO, são a desigualdade social, a instabilidade política e a degradação ambiental. A luta contra a fome e a subnutrição não consiste apenas em produzir
51073 mais alimentos, disse Edouard Saouma, diretor-geral da FAO. ""A produção mundial é suficiente para alimentar a todos, mas sua distribuição é desigual". Segundo ele, os pagamentos dos serviços da dívida externa dos países pobres estão limitando sua capacidade de melhorar a produtividade agrícola. No Sudeste Asiático, de acordo com a FAO, a desnutrição faz com que duas entre três crianças esteja com o peso abaixo do normal-- o que corresponde a 100 milhões de crianças. No Nordeste do Brasil, segundo a FAO, há 2,6 milhões de crianças desnutridas. A mortalidade infantil é de 79,6 para cada mil nascimentos. A fome crônica pode estar criando uma nova espécie de ser humano, de baixa estatura. A má distribuição de renda e de terra estão nas raízes do problema. Em todo o Brasil, cerca de cinco milhões de crianças com até cinco anos sofrem de carência alimentar grave. No Estado de São Paulo, o mais rico do país, a desnutrição é responsável por 6% da mortalidade infantil. Segundo informações da Secretaria da Saúde, de cada mil crianças que nascem no estado, pelo menos duas não chegam aos cinco anos de idade por não estarem suficientemente nutridas, enquanto outras 24 morrem por doenças agravadas pela desnutrição. A taxa de mortalidade infantil paulista é de 40 por mil nascimentos (O ESP) (JC).