ITAMAR MANTÉM CRONOGRAMA DE INTEGRAÇÃO DO MERCOSUL

Ao se encontrar pela primeira vez com os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle, o presidente Itamar Franco reiterou ontem, em Brasília (DF), o cronograma de implementação do MERCOSUL, acertado em Las Lenãs, em julho último, e que começa a vigorar em janeiro de 1995. Os três presidentes assinaram mensagem comum enviada a Andrés Rodriguez, presidente do Paraguai-- quarto integrante do acordo, que não compareceu por enfrentar uma crise política em seus país. Na mensagem, declararam a determinação de dar prioridade à execução das iniciativas integracionistas regionais. O presidente da Argentina disse que "o MERCOSUL é um compromisso permanente, acima dos governos". O presidente do Uruguai, no entanto, manifestou preocupação com a agilização das ações concretas de integração dos mercados do Cone Sul. Segundo Lacalle, "não adianta avançarmos só em conceitos. Precisamos caminhar com passos firmes para garantirmos o respeito ao calendário". No campo econômico, o presidente do Brasil procurou tranquilizar seus colegas do tratado do MERCOSUL na área de exportações e importações. "Se em dado momento um país tem balança comercial superavitária e outro país, deficitária, isso vai se corrigir no momento seguinte", assegurou o ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, lembrando que que a integração dos quatro países trará resultados estáveis e permanentes. Enquanto de janeiro a julho deste ano as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$1,612 bilhão, as importações de produtos argentinos, no mesmo período, alcançaram a cifra de US$700 milhões. Em relação ao ano passado, ocorreu um aumento de 147% das exportações brasileiras para a Argentina e o percentual de importações de produtos argentinos não foi praticamente alterado. O subsecretário de Integração, Promoção Comercial e Cooperação do Itamaraty, embaixador Rubens Barbosa, informou que o Brasil vem adotando medidas para aumentar as importações brasileiras da Argentina. Segundo ele, estão em exame as importações, pelo Brasil, de petróleo e o aumento nas compras de farinha de trigo. Também foi autorizada a extensão do período de importação de automóveis argentinos, como parte das medidas para reduzir a disparidade da balança comercial. A maior parte das exportações brasileiras para a Argentina é de veículos, máquinas, aparelhos mecânicos e elétricos, química e produtos metalúrgicos. Quanto aos subsídios das exportações brasileiras para a Argentina, reclamado por argentinos, o chanceler ressaltou que não há delineamento desta matéria do MERCOSUL. Recordou, no entanto, que em determinado momento a taxa de exportação entre os países será zero. Depois do rápido encontro, na Base Aérea de Brasília, o presidente da Argentina partiu para a Cidade do México. "O importante da visita do presidente Carlos Menem ao México é que haja continuidade nas relações bilaterais", avaliou o ministro das Relações Exteriores, assinalando que no futuro o MERCOSUL participará da análise das consequências do acordo firmado entre os EUA, Canadá e México (NAFTA). Fernando Henrique Cardoso confirmou também que a primeira viagem internacional do presidente Itamar Franco será para Buenos Aires, onde participa, nos dias 1o. e dois de dezembro, do encontro do Grupo do Rio, que é composto por 11 países da América Latina e Caribe. No dia 18 o presidente participa em Colônia, no Uruguai, da reunião com os presidentes dos países que integram o MERCOSUL (GM) (JB) (O Globo) (FSP) (JC).