O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Albano Franco (PRN-SE), entrega hoje ao presidente Itamar Franco um documento com sugestões para a estabilização econômica e a retomada do crescimento. O presidente da CNI defendeu a realização de acordos setoriais entre governo, empresários e trabalhadores, para reduzir a inflação e permitir a retomada dos investimentos, adiantando que as negociações poderão começar dentro de 10 dias-- mas que o governo teria de colocar na mesa, além da redução dos impostos, os juros e a política de preços públicos. As principais sugestões da CNI são: Pacto-- estabelecer as diretrizes básicas da política econômica através de amplo entendimento entre o Congresso, empresários, trabalhadores e governo. Crescimento-- promover o crescimento econômico, através da redução das taxas de juros, dos impostos e mediante concessão de incentivos fiscais regionais. Ajuste fiscal-- promover o ajuste fiscal sem aumentar a carga tributária, através da ampliação do número de contribuintes. Preços-- rediscutir a política de preços e tarifas públicas e promover o realinhamento dos preços do setor privado. Câmaras setoriais-- intensificar os acordos setoriais entre indústrias e trabalhadores dentro das câmaras. Salários, estabilidade e manutenção do nível de emprego devem ser pactuados no âmbito das câmaras. Capital externo-- regularizar as relações externas do país, para estimular a captação de poupança estrangeira. Revisão do conceito de empresa nacional, com o objetivo de acabar com as reservas de mercado e reduzir a discriminação do capital estrangeiro. Dolarização-- a CNI rejeita a alternativa de dolarização da economia. Reformas estruturais-- o documento estabelece como prioridade a reforma fiscal, mas ressalta a importância dos projetos de modernização dos portos, do Código de Propriedade Industrial, da concessão e disciplinamento de serviços públicos e da participação dos trabalhadores no lucro das empresas. Sonegação-- combater a sonegação como forma de elevar a receita, sem criar novos impostos comulativos. O ITF deve substituir o Finsocial e o PIS/Pasep (O Globo) (JB).