REFORMA AGRÁRIA PODE REDUZIR A VIOLÊNCIA NO CAMPO

O 16o. Fórum Nacional contra a Violência no Campo, instalado ontem em Campo Grande (MS), começou com uma homenagem ao deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP). Em seu nome foi feito um apelo: que a sociedade pressione o Congresso Nacional a votar a Lei de Reforma Agrária. "Com a posse legal da terra será possível diminuir a violência no campo e parar o êxodo rural no Mato Grosso do Sul, que tem transformado a periferia e as favelas em viveiros de mão-de-obra barata a serviço das oligarquias latifundiárias", argumentou o geógrafo Laerte Tetilla, da UFMS. Segundo ele, o Mato Grosso do Sul é um estado dominado pela grande propriedade: 12% dos proprietários ocupam 83% das terras e apenas seis latifúndios ocupam mais que o dobro da área agrícola ocupada por pequenos produtores. O estado tem 10 milhões de hectares de terras cultiváveis, mas menos de 20% são usadas para a lavoura. A maior parte desta área é utilizada pela pecuária de corte, que faz um abate anual de apenas 10% do rebanho. Laerte Tetilla apontou ainda a diminuição da população do campo: em 1970 eram 54% dos habitantes do estado; em 1980 passou para 33%; e em 1990, para 22%. O paradoxal é que o Mato Grosso do Sul é um estado agropecuário, disse. A área média dos imóveis passa de 700 hectares, mais de cinco vezes a média do Brasil (JC).