Conhecer o presidente em exercício Itamar Franco e procurar ouvir dele a reafirmação do propósito de formação do MERCOSUL a partir de 1995 são os motivos que trazem ao Brasil, hoje, os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Uruguai, Alberto Lacalle. O presidente do Paraguai, Andrés Rodríguez, não deverá vir por ter assumido previamente outros compromissos. A reunião foi articulada por Menem. O encontro não terá uma agenda específica, e a ausência nas comitivas dos respectivos ministros da Economia indica que o comunicado conjunto final não irá além do declarativo, sem modificações em relação ao acertado na reunião de Las Len~as, em junho. Se houver tempo, os presidentes aproveitarão para sondar as idéias de Itamar sobre política econômica, de cuja harmonização com a dos demais países do MERCOSUL depende o êxito do projeto comum. O encontro será uma boa oportunidade para Itamar Franco e Carlos Menem iniciarem uma análise mais detida sobre os problemas criados pelo processo de integração entre os dois países refletidos diariamente na imprensa argentina. A indústria local não se cansa de reclamar contra a importação de produtos brasileiros, insistindo sobre a existência de subsídios, financiamentos, práticas desleais de comércio etc. As maiores reclamações se referem às diferenças entre as políticas cambiais dos dois países-- o dólar barato na Argentina e caro no Brasil. Para muitos empresários argentinos, os aumentos de eficiência e produtividade e a diminuição de custos que possam conseguir dificilmente compensarão a defasagem, calculada em 40%, entre as taxas de câmbio dos dois países (GM) (O Globo) (JB).