CONTRABANDO DE PEDRAS DÁ PREJUÍZO DE US$900 MILHÕES

O governo brasileiro perde US$900 milhões (cerca de Cr$6,61 trilhões) por ano em divisas com o contrabando de pedras preciosas e semi-preciosas, como o diamante, a esmeralda e a água-marinha. A estimativa é do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), órgão encarregado de fiscalizar a produção. O IBGMP (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos), que representa o setor privado, admite que 90% da produção são comercializados de forma clandestina, mas contesta a estimativa do governo. Segundo o diretor-executivo do instituto, Hecliton Santini, o contrabando e o "descaminho" (venda ilegal no mercado interno) é da ordem de US$340 milhões (Cr$2,49 trilhões) por ano. Para se ter uma idéia da dimensão das cifras estimadas, o volume do contrabando admitido pelo DNPM representa 18 vezes os US$50 milhões (Cr$367,5 bilhões) investidos este ano pelo governo em pesquisas no setor mineral, através do DNPM e da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais). O contrabando admitido pelo setor privado financiaria, pelo mesmo critério, o investimento em pesquisas geológicas por seis anos e oito meses. A divergência entre os números do governo e os do setor privado se explica pelos dados da produção. O DNPM calcula que a produção nacional é da ordem de US$1 bilhão por ano, enquanto o IBGMP estima que a produção total não passaria de US$500 milhões por ano. O IBGMP calcula que 100 mil pessoas vivem do garimpo. O perfil do garimpeiro de pedras se assemelha ao do de ouro: é pobre, vive se deslocando para novas regiões em busca de veios mais ricos e quando bamburra-- encontra uma pedra valiosa-- torra o dinheiro na ilusão de que a sorte vai continuar. Campos Verdes, a 300 km de Goiânia (GO), é o maior garimpo de esmeraldas do Brasil e um dos maiores do mundo, com cerca de nove mil garimpeiros (FSP).