CRISE POLÍTICA E PROJETO ECONÔMICO

O Instituto dos Economistas do Estado do Rio de Janeiro (IERJ) juntamente com o "Jornal do Commercio", apresenta um conjunto de análises sobre as relações entre a política e a economia na conjuntura da posse de Itamar Franco. O professor José Luiz Fiori, cientista político do Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenha três cenários imediatos para o governo Itamar: a repetição da política adotada pelo ex-ministro Marcílio Marques Moreira (Economia), a adoção de um projeto próprio ou, frente ao ressurgimento da crise, o apelo eventual a algum tipo de jacobinismo. O professor Luiz Eduardo Soares, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, assinala que as elites brasileiras cultivaram uma ética insensível às exigências de uma organização política complexa, e mostra que o dilema do país é a não realização da própria forma democrática, a despeito da promulgação da Constituição. O economista Henri Acselrad, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), identifica as diferentes concepções de democracia que estão em jogo na crise brasileira e destaca que o fato de as instituições democráticas terem favorecido a participação política dos cidadãos foi essencial para a resolução do impasse político gerado pelo governo Collor. A professora Eli Diniz, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, evidencia como a forma de gestão avessa à convivência com o mundo da política criou condições para o impasse que asfixiou o governo Collor. O economista Ademar Mineiro, do Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro, assinala que o governo Itamar coloca-se frente à opção de definir um programa próprio, buscando maioria no Congresso e hegemonia na sociedade, ou de assumir a condição de governo de transição, que busque assegurar a governabilidade até 1994. O economista João Nogueira, do IBASE, aponta como a preferência dos liberais pela preservação da agenda econômica que marcou a administração Marcílio reflete a ignorância da vinculação entre o "social-liberalismo" e o padrão de regulação política que caracterizou as relações entre os grupos dominantes e o conjunto das forças sociais, durante o governo Collor (JC).