BRASIL VAI ABANDONAR AS "POSTURAS ESSENCIALMENTE DEFENSIVAS"

O chanceler Fernando Henrique Cardoso, sinalizou ontem, durante a posse de seu secretário-geral, Luís Felipe Lampréia, as prioridades da política externa do governo Itamar Franco. Disse que o Itamaraty abandonará as posturas essencialmente defensivas no GATT e "em outros foros", numa indicação de que a diplomacia passará a ser mais agressiva, realista e objetiva "nesta fase de inserção competitiva do Brasil no mundo contemporâneo". É do nosso interesse que o GATT se afirme definitivamente como
50988 instrumento de expansão do comércio e que a Rodada Uruguai tenha êxito
50988 na tentativa de regulamentação dos novos temas, como serviços e
50988 propriedade intelectual, afirmou. A chancelaria dará também prioridade a um estreitamento de relações com o empresariado na discussão dos temas comerciais, como os da Rodada Uruguai. Em ordem de prioridade, o ministro das Relações Exteriores colocou o relacionamento com a América do Sul, com ênfase ao MERCOSUL, que seguirá com seus prazos e metas confirmados na reunião presidencial de Las Len~as, em meados deste ano. Igualmente importante é a avaliação que o Brasil fará do NAFTA e da Iniciativa para as Américas. Fernando Henrique destacou que o Brasil será mais agressivo nos mercados regionais e nos países em desenvolvimento. A ênfase nas relações com a China e a Índia, e demais países com igual potência, ficará restrita ao plano de cooperação científica e tecnológica. Cai na prioridade do Itamaraty o interesse em relação ao Oriente Médio, Europa Oriental e Central. Os países africanos ficam em último lugar nas prioridades da política externa brasileira, o que não se trata de uma mudança do governo Collor para o de Itamar Franco. O Itamaraty continuará a priorizar especialmente os países de língua portuguesa em matéria de cooperação técnica, financiada com recursos de organismos multilaterais (GM).