Os armadores brasileiros de cabotagem não conseguem se beneficiar do aumento do intercâmbio comercial do Brasil com os países do MERCOSUL, especialmente a Argentina. Segundo o assessor econômico da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), Alexandre Veloso, o crescimento do comércio no MERCOSUL (superávit brasileiro de US$742,34 milhões, entre janeiro e junho deste ano) é feito com venda de veículos e suas partes e de eletrodomésticos, produtos movimentados pelo transporte rodoviário-- mais competitivo que o navio. A frota mercante brasileira opera para o MERCOSUL basicamente transporte de produtos a granel-- minério de ferro, produtos siderúrgicos e grãos--, com destaque para o trigo, que atinge importação de três milhões de toneladas ao ano. Veloso disse que o frete médio desse transporte está fixado em US$12 ou US$13 por tonelada, mas deverá elevar-se para US$17, porque, em outubro, as empresas de navegação corrigem os salários dos marítimos em 85%. Os salários pesam 20% na planilha de custos do setor. Ele afirmou que as quantidades de carga de produtos a granel não devem se alterar, seguindo o que já vem ocorrendo. Esse aumento do valor de frete deverá retirar a competitividade das
50971 empresas brasileiras. Veloso enfatizou que, para enfrentar as empresas
50971 argentinas-- apesar de os salários de seus marítimos estarem fixados em
50971 dólar e elevarem os custos operacionais--, as empresas brasileiras
50971 precisam da aprovação, no Senado, da lei de modernização dos portos e da
50971 criação da segunda bandeira de conveniência para se liberarem da carga
50971 tributária (GM).
50972 O governo Itamar Franco definiu o modelo de privatização: só a venda das
50972 empresas dos setores de telecomunicações, petróleo e energia elétrica
50972 será submetida ao Congresso Nacional. Todos os demais setores serão
50972 privatizados. Na venda de estatais de grande interesse pelo setor privado
50972 haverá um limite para o pagamento com títulos da dívida federal (as
50972 chamadas moedas podres"") e se exigirá uma parcela em cruzeiros-- que se