ITAMAR FRANCO EMPOSSA NOVOS MINISTROS

O presidente em exercício, Itamar Franco, empossou ontem mais sete ministros no Salão Nobre do Palácio do Planalto: Ivan Serpa (Marinha), Zenildo Zoroastro (Exército), Lélio Lobo (Aeronáutica), Walter Barelli (Trabalho), Paulino Cícero (Minas e Energia), Jamil Haddad (Saúde) e Alexandre Costa (Secretaria de Desenvolvimento Regional). Assistiram à solenidade, que não teve discursos, sete governadores e cerca de 1.500 convidados. Após a posse, o ministro Walter Barelli afirmou que a política salarial não irá mudar até o final do ano. Barelli criticou os reajustes salariais realizados a cada quatro meses porque "os trabalhadores ficam sem proteção de seus salários". O novo ministro do Trababalho afirmou que não promete soluções milagrosas, porque o país atravessa grave crise econômica e social, mas prometeu trabalhar para que seja modernizada a legislação trabalhista e adotado, o mais breve possível, o contrato coletivo de trabalho. Barelli disse que sua maior preocupação é com a aplicação da ética na economia e citou três exemplos desse procedimento: o pagamento de impostos, a redução do desemprego e a conciliação entre modernidade e pobreza. O novo ministro das Minas e Energia tomou posse criticando o programa de privatização do governo Collor e defendendo a manutenção do monopólio estatal em poder da PETROBRÁS. Paulino Cícero defendeu alterações no programa de privatização, como a inclusão de moeda corrente nos leilões. O ministro afirmou que as tarifas de energia elétrica e dos combustíveis estão em média 20% abaixo do valor histórico. Sem uma atualização tarifária, disse, será difícil investir no setor energético. O novo ministro da Saúde, Jamil Haddad, disse que a recuperação da rede hospitalar nas regiões de maior densidade demográfica e a melhoria das condições de atendimento dos ambulatórios são as principais metas da política de pés no chão, que pretende implantar. Sua intenção, explicou, é destinar maior parte do orçamento do ministério para melhorar o atendimento às populações carentes que usam os hospitais e ambulatórios públicos. Prometeu também erradicar a malária e negociar com a indústria farmacêutica a redução nos preços dos remédios de uso contínuo. O ministro-chefe da SDR, Alexandre Costa, afirmou que a falta de recursos do órgão dificulta as ações a serem criadas, mas não as inviabiliza. Segundo ele, a ação da Secretaria de Desenvolvimento Regional, que no governo Itamar Franco vai se chamar Ministério da Integração Regional, não se limitará ao Nordeste, mas abrangerá todas as regiões pobres do país, como o Vale do jequitinhonha (MG) e a Baixada Fluminense (RJ) (O ESP) (GM) (O Globo) (JB) (FSP).