Rosane Collor, mulher do presidente afastado Fernando Collor, foi indiciada ontem pela Polícia Federal em Maceió (AL) nos crimes de peculato, formação de quadrilha e prática de concurso de crimes (crime continuado). Se for condenada, poderá cumprir pena de até 15 anos de prisão, aumentada em dois terços pelo enquadramento em concurso de crimes. O inquérito, entregue ontem pelo delegado Élio Mota à Justiça Federal de Alagoas, acusa Rosane de desviar Cr$1,6 bilhão, em valores atuais, da LBA para a Associação Pró-Carente de Canapi, entidade fantasma administrada por sua mãe, Rosita Malta, e uma cunhada, Maria Auxiliadora Brandão. Foram acusadas mais nove pessoas em Maceió e Brasília (DF). A Procuradoria da República em Alagoas pediu o sequestro dos bens de Rosane Collor e dos outros nove acusados. No Rio de Janeiro (RJ), a Polícia Federal indiciou a ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, no inquérito que apura irregularidades na venda da VASP. Ela é acusada de infringir os artigos 23 da Lei do Colarinho Branco (omissão) e 29 do Código Penal (co-autoria), que prevêem pena de até quatro anos de prisão. Ao depor, Zélia acusou o ex- secretário Eduardo Teixeira de criar facilidades para a compra da empresa por Wagner Canhedo. A ex-ministra é acusada de ter participado da autorização para que a VASP refinanciasse dívida de cerca de US$260 milhões por 20 anos. A PF afirma que o prazo deveria ter sido de cinco anos (O ESP) (FSP).