Dos 10 principais produtos da pauta de exportações brasileiras para o Canadá, dois podem enfrentar problemas quando entrar em vigor o NAFTA. O Acordo de Livre Comércio da América do Norte, assinado ontem pelos presidentes dos EUA e México e primeiro-ministro do Canadá prevê a eliminação gradual das barreiras tarifárias, comerciais, de investimentos e negócios entre os três países em um período de 15 anos, a partir de 1994. Esses dois produtos são calçados e artigos de ferro e aço, que representaram 18,5% das vendas brasileiras ao Canadá no primeiro semestre do ano. Com o NAFTA, o Canadá poderá comprar calçados mexicanos sem o imposto de importação cobrado de fornecedores de outros países. No caso de artigos de ferro e aço isso também poderá acontecer, mas depende de haver investimentos nesses produtos no México. As informações são do novo embaixador do Canadá no Brasil, William A. Dymond. Segundo ele, os reflexos do NAFTA sobre as relações comerciais entre o Canadá e o Brasil dependem mais "do clima econômico e político brasileiro". Para ele, os dois países devem aprofundar seus negócios, procurando produtos não tradicionais da pauta. As exportações canadenses para o Brasil cresceram 25% em 1991 para US$529,2 milhões. Nesse mesmo ano, as exportações brasileiras para o Canadá diminuíram em 10,6% para US$612,8 milhões. Ainda assim, o saldo continua positivo para o Brasil, em US$83,7 milhões. No primeiro semestre deste ano, as vendas canadenses ao Brasil deram um salto de 43,9% para US$261,7 milhões, em comparação com igual período de 1991; enquanto as vendas brasileiras ao Canadá declinaram ligeiramente para US$295,9 milhões (GM).