Mais filosófico do que pragmático. Esse é o perfil que transparece do ministro da Economia, Gustavo Krause, através de uma coletânea de textos de sua autoria, que ele montou para distribuição à imprensa estrangeira. Para Krause, o Brasil "está a meio caminho da barbárie e da civilização", diante do vazio posterior à Constituição. Ele defende a reforma agrária nos moldes capitalistas, "sem a qual não dá pra conceder uma economia social". Revelando-se crítico do corporativismo, do liberalismo puro-- que chamou de "mercadolatria" e "estadofobia"-- e do modelo presidencialista, Krause critica as instituições brasileiras, que permitem triunfar a corrupção. No Brasil, nem os exemplos são dados, nem as instituições funcionam. Em
50948 consequência, a impunidade nutre e dissemina uma taxa insuportável de
50948 safadeza nacional bruta, diz ele em artigo publicado em abril de 1991, sobre a corrupção (O Globo).