Começa hoje, em Washington (EUA), um julgamento simbólico das autoridades envolvidas no massacre da Casa de Detenção de São Paulo, ocorrido no último dia três, quando 111 presos foram assassinados, segundo os números oficiais. O julgamento é promovido pelo Comitê Internacional de Defesa dos Direitos Humanos, entidade ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), à qual o Brasil é filiado. Pela primeira vez na história do Brasil, os nomes de um governador (Luiz Antônio Fleury) e de um ex-secretário de Segurança Pública (Pedro Franco) passam sob o crivo de uma investigação da OEA. A informação é do advogado norte-americano José Miguel Vicanco, diretor-executivo do Centro de Justiça e Direito Internacional da OEA. Segundo ele, se houver provas contra Fleury, a OEA pode pedir o afastamento do governador numa moção de protesto. Joana Weschler, enviada especial da Americas Watch ao Brasil, chegou ontem a São Paulo para coletar dados para a OEA. Segundo ela, "o que mais me intriga é saber o porquê de o governo ter omitido o número real de mortos". Ela explicou que sua função é divulgar a todo o mundo a credibilidade dos governos na questão de direitos humanos. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal decidiram formar uma CPI mista para apurar o funcionamento do sistema penitenciário do país. A CPI, que deverá ser instalada na próxima semana, foi motivada pela chacina na Casa de Detenção de São Paulo. Só mudaram os nomes no comando da Polícia Militar de São Paulo. A forma de agir e pensar dos comandantes interinos, que assumiram ontem, é igual à dos afastados. O coronel que passou a comandar o Policiamento Metropolitano, Ney Moreira dos Santos, 51 anos, considerou "perfeita" a ação da PM e afirmou que vai continuar trabalhando na mesma linha de seu antecessor, Ubiratan Guimarães. "Foi corretíssima a operação. Houve uma solicitação e a polícia agiu de acordo com seus deveres", comentou o novo homem-forte da PM em São Paulo. Essa forma de analisar o massacre da Casa de Detenção não é exclusiva de Santos. "Faria tudo outra vez. Guerra é guerra. Quem perde fica humilhado e é acusado de omissão", disse o novo comandante do 3o. Batalhão de Choque, major José Luís Soares Coutinho, 43 anos. Ele substitui Luiz Nakaharada (FSP) (GM).