O contrato coletivo de trabalho, reivindicação que frequenta a pauta do movimento sindical há quase 10 anos, deve voltar à mesa das negociações trabalhistas com a posse, hoje, do economista Walter Barelli no Ministério do Trabalho. Barelli dicutiu o tema, anteontem, com os representantes das centrais sindicais. Gilmar Carneiro, da CUT; Luiz Antônio de Medeiros, da Força Sindical; Francisco Canindé Pagado, da Confederação Geral dos Trabalhadores; e Antônio Neto, da Central Geral dos Trabalhadores, receberam do novo ministro um pedido formal de apoio. Barelli lhes disse que pretende prestar contas da sua atuação aos sindicatos. Medeiros reivindicou, no encontro, nova lei salarial. Acha que ela deve preceder o contrato coletivo. No momento, argumenta, os sindicatos estão enfraquecidos pela recessão. "O contrato só é bom com sindicatos fortes", disse. Jair Meneguelli, presidente da CUT, pensa diferente e acredita que a presença de Barelli no governo pode significar a implantação do contrato coletivo. Para ele, a solução dos problemas dos trabalhadores depende de uma política de conjunto diferente da que vinha sendo praticada pelo governo Collor. "No caso de prevalecer o continuísmo, temos razões para acreditar que Barelli, desapegado ao poder como é, não avalizaria uma orientação nociva ao país e aos trabalhadoeres", disse. A CUT está dividida quanto a apoiar ou não o novo ministro do Trabalho. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP), Vicente Paulo da Silva, acha que Barelli é a pessoa adequada para coordenar acordos setoriais envolvendo trabalhadores, empresários e governo para reativação da economia. Já o secretário de Imprensa da entidade, Sérgio Barroso, anuncia uma convivência nada tranquila com Barelli. "Que ninguém espere uma trégua só porque Barelli foi escolhido", avisou. Pela Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros não espera entendimento com o governo. "O pacto deveria começar pelos partidos políticos", disse. Sem isso, o movimento sindical está fora "para não ser boi de piranha novamente" (O ESP).