DEMITIDO SECRETÁRIO QUE AUTORIZOU INVASÃO DA CASA DE DETENÇÃO

O governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB), demitiu ontem o secretário de Segurança Pública do estado, Pedro Franco de Campos, que ordenou a invasão policial na Casa de Detenção. Ele será substituído pelo procurador-geral do estado, Michel Temer. Fleury afirmou que "a ação da PM foi criminosa" e disse que o estado dará assistência jurídica às famílias das vítimas. Disse também que vai pedir a colaboração de peritos da UNICAMP para ajudar na apuração da chacina. O governador resolveu ainda apoiar a criação de uma Comissão Especial de Inquérito na Assembléia Legislativa, e negou que a ordem para a invasão do presídio tenha partido dele ou que tenha escondido a gravidade da situação por causa da eleição. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, disse ontem, ao visitar a Casa de Detenção, que dentro de 30 dias a comissão que vai apurar o massacre apresentará seu relatório. A comissão é presidida pelo ministro e composta por Aristides Junqueira, procurador-geral da República; Marcelo Lavene`re, presidente do Conselho Federal da OAB, relator; e Carlos Chagas, representante da ABI. As famílias dos presidiários mortos na Casa de Detenção poderão adotar várias medidas judiciais contra o estado e, inclusive, pedir uma indenização. O advogado Cyro Kusano, há 18 anos na advocacia criminal, avaliou em Cr$18,541 bilhões o montante das indenizações a que os parentes dos presos têm direito. A Igreja quer a apuração rigorosa da chacina. "Tem que se chegar aos responsáveis e puni-los de acordo com a lei", afirmou ontem o presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida. "Não aceito o que aconteceu; foi uma selvageria, uma chacina de indefesos com brutal covardia que não pode ser aceita", comentou (O ESP) (JB).